Rio Grande do Norte
A saúde pública do Rio Grande do Norte está no centro de uma investigação de grande escala conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A chamada Operação Mederi, deflagrada nesta terça-feira (27), mobilizou mais de 120 agentes para cumprir 35 mandados de busca e apreensão, tendo como um de seus principais alvos o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).
O esquema investigado foca em um ciclo de corrupção que envolve desde a manipulação de licitações até a entrega fictícia de materiais hospitalares. Entenda os pilares da investigação:
1. O mecanismo das fraudes licitatórias
Segundo as autoridades, o grupo criminoso atuava para garantir que empresas específicas vencessem certames municipais. Para isso, utilizavam duas táticas principais:
Direcionamento de editais: Criação de regras que favoreciam tecnicamente as empresas do esquema.
Simulação de concorrência: Uso de “empresas de fachada” ou combinadas entre si para criar uma falsa aparência de disputa, garantindo que o contrato ficasse sempre no mesmo círculo de influência.
2. Insumos “fantasmas” e sobrepreço
Auditorias da CGU revelaram que o prejuízo aos cofres públicos ocorria de forma direta na execução dos contratos:
Não entrega de produtos: Pagamentos eram realizados por medicamentos e insumos médicos que nunca chegavam às unidades de saúde.
Especificações adulteradas: Entrega de materiais de qualidade inferior àquela que foi paga pelo poder público.
Sobrepreço: Valores faturados muito acima da média de mercado, drenando recursos que deveriam ser aplicados no atendimento à população.
Alcance interestadual e medidas judiciais
A Operação Mederi identificou que empresas sediadas no Rio Grande do Norte mantinham contratos com prefeituras de diversos outros estados, o que sugere uma rede de atuação interestadual.Além das buscas realizadas na residência de Allyson Bezerra e na sede da Prefeitura de Mossoró, a Justiça autorizou:
Medidas cautelares: Restrições de atividades para os envolvidos.
Bloqueios patrimoniais: Congelamento de bens para garantir o futuro ressarcimento ao erário.
O que diz a Lei
Os investigados podem responder por crimes de peculato, fraude em licitação e organização criminosa. As penas somadas podem ultrapassar décadas de reclusão, dependendo da extensão dos danos comprovados.
Próximos passos
Todo o material apreendido – computadores, documentos e dispositivos móveis – passará por perícia técnica. A Polícia Federal busca agora identificar se há participação de outros agentes políticos e dimensionar o montante total desviado da saúde potiguar.
Fonte: BNews Nata e Robson Pires

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