13/08/2026

PF investiga evasão de divisas e lavagem de R$ 1,1 bilhão por meio de bets

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Arena, em conjunto com o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

A ação investiga um grupo empresarial suspeito de utilizar empresas e movimentações financeiras no exterior para esconder a origem e o destino de valores obtidos com jogos de azar e apostas esportivas.

Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, autorizados pela 4ª Vara Federal da Paraíba. Os mandados são cumpridos na Paraíba (João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca), em São Paulo (capital), no Rio de Janeiro (capital e Niterói), em Sergipe (Aracaju) e no Paraná (Curitiba).

A operação também inclui medidas de quebra dos sigilos bancário e telemático, além do bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 1,1 bilhão.

Um dos alvos seria o advogado Nelson Wilians, suspeito de lavar dinheiro do esquema envolvendo empresas de bets. Os agentes federais cumprem mandado de busca e apreensão na mansão do advogado em São Paulo. Sua esposa, a advogada Anne Wilians, sócia do escritório, também é citada como alvo.

Em julho, Willians foi alvo de uma operação voltada a desarticular uma organização suspeita de comercializar créditos de ICMS fraudulentos.

A sede da empresa de apostas PixBet, em Campina Grande, foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a operação. A transação criminosa investigada também envolve a PixStar, empresa fantasma sediada na ilha de Curaçao, no Caribe. A PF detectou pagamentos entre as duas empresas.

A casa de um homem apontado como “laranja” do grupo suspeito dos crimes também foi alvo. A informação é da TV Cabo Branco.

Os suspeitos podem responder pelos crimes de evasão de dívidas, lavagem de dinheiro, além de outros crises contra o sistema financeiro nacional.

Segundo a Receita Federal, as investigações começaram em 2022 para apurar a atuação de pessoas físicas e jurídicas de Campina Grande (PB) na comercialização de créditos de jogos online formalmente sediados no exterior e na manutenção de sites de apostas esportivas no Brasil. 

Operação Arena

A operação realizada nesta quinta-feira é uma ação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal. Segundo as investigações, a estrutura teria sido montada para dar a aparência de que as atividades eram conduzidas no exterior, enquanto a gestão operacional, administrativa e as principais decisões ocorreriam, em tese, no Brasil.

De acordo com a Receita Federal, empresas registradas no exterior teriam sido usadas para justificar o envio de grandes volumes de recursos para outros países. Os elementos reunidos até o momento, porém, indicam que essas empresas não teriam atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.

As apurações apontam ainda para o uso de uma estrutura financeira complexa, com empresas brasileiras e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outros mecanismos. A suspeita é de que esses recursos tenham sido utilizados para dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.  

A investigação também encontrou possíveis indícios de omissão de rendimentos e de uso de estruturas empresariais para reduzir ou evitar irregularmente a tributação sobre as atividades desenvolvidas.

A Receita Federal afirma que, embora o mercado de apostas de quota fixa tenha passado recentemente por um processo de regulamentação no Brasil, há indícios de que atividades ligadas ao setor já eram realizadas antes das novas regras. Segundo o órgão, teriam sido empregados mecanismos para ocultar operações, receitas e os beneficiários finais dos recursos.

Os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados serão analisados e poderão subsidiar novas medidas fiscais, como a cobrança de tributos eventualmente devidos e o compartilhamento de informações com os órgãos responsáveis.

Fonte: Por ICL Notícias

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