05/11/2026

Governo italiano será cobrado sobre possibilidade de revogar passaporte de Flávio Bolsonaro


O governo italiano terá de dar explicações sobre o procedimento que utilizou para dar um passaporte do país europeu para Flávio Bolsonaro. Nesta sexta-feira, o Parlamento Italiano colocou o tema em sua agenda e um ministro do governo de Giorgia Meloni será convocado a responder.

A audiência ocorre depois de o deputado Angelo Bonelli ter apresentado, por escrito, uma demanda para que a situação seja explicada. O parlamentar quer saber se o governo tem conhecimento das investigações em curso no Brasil envolvendo Flavio Bolsonaro e quais medidas pretendem adotar para “evitar o risco de que a cidadania italiana se torne, na prática, um instrumento para escapar da justiça em nível internacional”.

Bonelli ainda questiona se o governo pretende avaliar se existem fundamentos para a revogação dos passaportes detidos pelos filhos de Bolsonaro.

Meloni reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. Mas, nos últimos anos, a coalizão que governa a Itália conta com Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e líder da extrema direita no país.

Salvini é um aliado de Jair Bolsonaro e, depois do primeiro turno das eleições no Brasil, foi às redes sociais para publicar uma foto abraçando Flávio Bolsonaro e parabenizando o brasileiro pela vitória.

Classificando o senador como “meu amigo”, o líder da extrema direita destacou o resultado como “extraordinário”.

Ao apresentar o questionamento ao governo de Meloni, Bonelli apontou que, em 2020, Flavio e Eduardo Bolsonaro — filhos do então presidente do Brasil, Jair Bolsonaro — solicitaram a inclusão na lista de espera da chancelaria consular da Embaixada da Itália em Brasília para obter o reconhecimento de sua cidadania iure sanguinis (por direito de sangue), apresentando comprovante de residência em Brasília.

Em 8 de novembro de 2022, nove dias após a derrota eleitoral de seu pai, Flavio e Eduardo compareceram à Embaixada para acompanhar o andamento de seus pedidos.

Em 13 de junho de 2025, em resposta à pergunta parlamentar nº 2-00631, o Governo confirmou que Flavio, Eduardo e Carlos Bolsonaro concluíram o processo com êxito e obtiveram a cidadania italiana: Flavio e Eduardo em 2023, e Carlos em 2024.

O deputado destaca que, desde agosto de 2018, a embaixada em Brasília suspendeu o agendamento de atendimentos para o reconhecimento de cidadania, mantendo apenas o registro de interessados ​​na lista de espera.

Em novembro de 2022, os atendimentos que estavam sendo processados ​​referiam-se a solicitações de 2018. “É necessário verificar se os Bolsonaro foram convocados seguindo a ordem cronológica da lista de espera ou se receberam tratamento preferencial em relação aos demais requerentes”, apontou.

Ele lembra que, por meio do Decreto-Lei nº 36 de 2025, o governo Meloni restringiu significativamente o reconhecimento da cidadania jure sanguinis. “Consequentemente, muitos descendentes de italianos não conseguirão mais obtê-lo, ao passo que os filhos de Bolsonaro — que foi condenado no Brasil por tentativa de golpe de Estado — o obtiveram com bastante rapidez”, destacou.

Fonte: DiariodoRN

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