Brasil
Há 83 anos, em 6 de abril de 1943, foi publicado pela primeira vez em Nova Iorque o livro que se tornaria um dos mais lidos do mundo, atrás apenas da Bíblia e da saga Harry Potter: O Pequeno Príncipe. A primeira edição saiu em inglês.
Naquele período, a França estava ocupada pelos nazistas e Antoine de Saint-Exupéry vivia no exílio. Nenhuma editora francesa podia publicar sua obra. Conta-se que ele escreveu a história sozinho, à noite, em uma mansão em Long Island. Apenas uma semana após o lançamento, Saint-Exupéry deixou os Estados Unidos para se juntar às Forças Francesas Livres na Argélia. Em 31 de julho de 1944, seu avião desapareceu na costa de Marselha. Ele tinha 44 anos.
O livro só foi publicado na França em 1946, pela editora Gallimard, de forma póstuma. O manuscrito original está guardado na Biblioteca Morgan, em Nova Iorque, deixado por Saint-Exupéry com seu editor americano antes de partir.
Curiosamente, suas obras foram proibidas na Argélia pelo general Charles de Gaulle. Em cartas aos amigos, o autor lamentava: “Chegou um enorme carregamento de livros da América. Exceto o meu. Sou um leproso.” Décadas depois, também foi censurado na Argentina, durante a ditadura militar de 1976-1981, quando o general Rafael Videla considerou o livro cheio de “ideias subversivas”.
Na juventude, O Pequeno Príncipe era visto como leitura “para mocinhas”. Entre rapazes, era considerado supérfluo. Lembro que, quando estudava no Marista, em Natal, os colegas me provocavam dizendo que a Miss Rio Grande do Norte, nascida em Mossoró, respondia nas entrevistas que seu livro favorito era justamente O Pequeno Príncipe.
Com o tempo, essa percepção mudou. Hoje, a obra de Saint-Exupéry é reconhecida como um clássico universal, traduzido em mais de 300 idiomas. Marcado por forte teor filosófico e poético, deixou ao mundo uma das frases mais repetidas e aplicadas à vida cotidiana:
“O essencial é invisível aos olhos.”
Fonte: Jornal Omossoroense


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