06/05/2026

Um encontro de pragmatismo: o que Lula e Trump buscam na Casa Branca

 Internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca amanhã (7) em Washington para um encontro com Donald Trump na Casa Branca. À primeira vista, a imagem de um presidente histórico do PT ao lado do líder republicano soa como um mergulho no vale da dissonância cognitiva. Afinal, como conciliar o defensor do multilateralismo e aquele que ameaça romper alianças?

A resposta é simples e brutal: a política externa deixou de ser ideologia para virar sobrevivência.

Para Trump, o encontro é um exercício de pragmatismo descarnado. O republicano, que já chamou Lula de “ladrão” e fez de Bolsonaro um hóspede de honra na Flórida, agora precisa do Brasil. A guerra contra o Irã elevou os preços dos combustíveis nos EUA, e Trump busca reeleição. Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos poucos fornecedores de petróleo com capacidade de expansão rápida. Além disso, os EUA estão em uma corrida desesperada por minerais críticos (lítio e terras raras) para reduzir a dependência da China — e o Brasil detém a segunda maior reserva do mundo .

A agenda, portanto, é pesada. De um lado, Lula quer reduzir as tarifas que ainda atingem produtos brasileiros — cerca de 29% das exportações seguem sobretaxadas, e a participação dos EUA nas vendas externas do Brasil caiu ao menor nível desde 1997 . De outro, Trump exige concessões: quer garantias de que facções brasileiras (como PCC e Comando Vermelho) não sejam alvo de sanções e que o sistema de pagamentos Pix não discrimine empresas americanas .

O que torna este encontro ainda mais delicado é o cenário doméstico de Lula. Após a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF — a primeira rejeição a um nome do Judiciário em mais de cem anos — e a derrubada de vetos no Congresso, o presidente precisa de uma vitória externa para retomar a narrativa . O problema é que Trump é imprevisível. O Planalto teme que o americano constranja Lula publicamente, como já fez com líderes sul-africano e ucraniano .

As perguntas que ficam são: este aperto de mãos inaugura uma era de cooperação madura ou é apenas um armistício temporário? O Brasil venderá seus minerais estratégicos a preço de commodities ou conseguirá reter o beneficiamento interno? E, no campo político, Lula conseguirá transformar a foto com Trump em trunfo eleitoral ou assistirá, impotente, à direita brasileira usando o republicano como arma contra ele?

A resposta não virá amanhã. Mas uma coisa é certa: o tabuleiro geopolítico não espera coesão ideológica. Lula e Trump sentam-se à mesa por pura necessidade. E é justamente dessa necessidade que pode nascer o primeiro grande acordo de governo a governo entre Brasil e Estados Unidos em anos — ou o próximo vexame televisionado.

Fonte: Omossoroense

Nenhum comentário:

Postar um comentário