São Paulo, (AE) - A cidade histórica de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, é o mais novo patrimônio histórico nacional. Quase um ano depois das enchentes que destruíram parcialmente a cidade, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou nesta sexta-feira (10) cerca de 450 imóveis do centro histórico do município.
Agora, os edifícios construídos nos períodos colonial e do Império e o traçado urbano da cidade estão protegidos e qualquer modificação terá de ser aprovada também pelo Iphan. O centro histórico já é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat) desde 1982.
Mas o tombamento federal é mais restritivo: além dos imóveis, a área de morros que circunda a cidade também está protegida, em um perímetro que chega a 6,5 milhões de metros quadrados. Qualquer construção dentro dessa área terá de passar pela aprovação do órgão.
Para evitar burocracia aos moradores de Paraitinga, o Iphan pretende criar um escritório técnico na cidade, onde trabalharão técnicos federais, da Prefeitura e do Condephaat. “Ficará na futura Casa do Patrimônio, que planejamos construir. Um local de gestão compartilhada, onde o cidadão buscará autorizações das três instâncias que protegem a cidade”, disse o coordenador das ações do Iphan em Paraitinga, Leonardo Falangola “Também servirá para oferecer à população oficinas, seminários, palestras e exposições sobre a história da cidade.”
Na continuação da recuperação de Paraitinga, o Iphan concluiu nesta sexta-feira (10) licitação para reconstruir a Capela das Mercês. As obras, estimadas em R$ 2 milhões, devem começar dentro de um mês e ser finalizadas em dezembro de 2011. Com R$ 10 milhões destinados pelo Ministério da Cultura após a enchente do início do ano, o Iphan vai executar também o restauro da Casa Oswaldo Cruz, onde será instalado o Memorial da Reconstrução. Em 2011, está prevista uma linha de crédito para reconstrução das casas.
Fundada em 1769, Paraitinga tem conjunto urbano planejado, que marcou a segunda metade do século 18 no Brasil. Muitos dos casarões agora tombados do centro foram construídos no século 19, quando a vila começou a crescer, impulsionada pela exportação de fumo e café.
Para lembrar - A inundação que atingiu a cidade em janeiro foi a maior desde 1930. O Rio Paraitinga subiu dez metros, arrastando casas e igrejas. Mais de 800 imóveis foram afetados e 18 casarões ruíram no centro histórico. Com recursos estaduais e federais, foram recuperadas estradas, mercado, fórum e foi concluído parte do restauro da Igreja Matriz.
Fonte: Jornal Tribuna do Norte

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